Manifesto da Cocriação

 Manifesto da Realidade Vivida

Eu já caminhei por Paris.
Sei exatamente como é ouvir o som das minhas botas marcando ritmo nos paralelepípedos, enquanto a Torre Eiffel se erguia diante de mim como um farol silencioso.

O frio da tarde cortava o ar, mas o peso elegante do meu casaco me mantinha firme, e a boina vermelha queimava como chama sobre
 minha cabeça.

Eu já senti a cidade me acolher.
Os prédios históricos à minha volta não eram apenas paredes: eram testemunhas.
As pessoas passavam, algumas olhavam, mas eu seguia com a segurança de quem já sabia que aquele momento era meu.

Na varanda com vista para a torre, o sol se deitou sobre Paris e pintou os telhados de ouro.
Eu já segurei aquela xícara de café, já senti o calor atravessando minhas mãos, já ouvi o barulho dos talheres no salão ao fundo.
O cheiro do café fresco, o leve doce do macaron, o vento entrando pela janela… tudo foi real, tudo me atravessou.

Eu já vivi isso.
Não como sonho, não como promessa, mas como memória gravada em mim.
E ao lembrar, eu sorrio — porque sei que a vida que crio com minha imaginação é a mesma que se revela diante dos meus olhos.

Eu já estive em Paris.
Eu já fui a presença que se funde com a cidade.
Eu já sou a prova de que tudo que vibro se materializa.


Essa não é uma visão do futuro.
É um registro do meu passado.
E nele, eu caminho, eu sinto, eu saboreio, eu agradeço.

Eu já vivi.
Eu já sou.
Eu já criei.

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